Filhos ou carreira? Uma decisão difícil para as mulheres
Psicologia | 10/05/2010
Tags: Psicologia, relacionamento
Após os 30 anos de idade, as perguntas que não calam na mente feminina são: dá para conciliar o sonho de construir uma família com uma carreira bem-sucedida?
Até quando é possível adiar a maternidade? Toda mulher precisa ter filho para ter uma vida plena e feliz? Essa é mais uma das decisões difíceis que precisa ser tomada na vida. A seguir cito alguns fatores a serem ponderados:
1) Fertilidade: ela começa a cair depois dos 30 anos e despenca após os 35. De acordo com a Clínica Mayo, nos EUA, o seu pico ocorre entre 20 e 30 anos. Ela cai 20% depois dos 30, 50% depois dos 35 e 95% depois dos 40 anos. Enquanto 72% das mulheres de 28 anos ficam grávidas depois de tentar por um ano, somente 24% das mulheres de 38 anos o conseguem.
2) Finanças: em recente estudo das economistas Susan Harkness e Jane Waldfogel, sobre diferenças salariais entre mulheres e homens, foi descoberto que mulheres de 30 anos sem filhos ganham 90% do salário dos homens e mulheres de 30 anos com filhos ganham somente 73%. Neste aspecto vale também comentar o custo dos tratamentos para fertilidade. Em clínicas particulares a inseminação artificial pode custar por volta de R$ 2 mil e a fertilização in vitro, R$10 mil por tentativa, sem contar com os medicamentos.
3) Felicidade: um crescente número de pesquisas mostra que as mulheres são mais felizes quando são capazes de ter tanto uma carreira quanto uma família. A atividade profissional fornece estímulo mental, recursos financeiros e autoconfiança.
4) Trabalho: segundo um estudo realizado na Universidade Chicago, os sociólogos Qin Chen e Ye Luo dizem que a felicidade das mães está substancialmente relacionada à quantidade de tempo que gastam no emprego, isto é, carreiras de meio período ou de horas reduzidas "maximizam" o bem-estar maternal. Porém, nos dias de hoje isso é raro. Neste último caso, é preciso contar com a ajuda dos familiares, babás, enfermeiras, faxineiras extras, etc. sem "culpa" ou "vergonha". Comento a questão da "culpa" ou "vergonha" porque é comum que as mães se sintam assim em razão de acreditarem que são elas quem deveriam dar conta do trabalho e da casa.
Portanto, decidir por ter ou não um filho; diminuir o ritmo na carreira ou se dedicar integralmente aos filhos; engravidar agora ou mais tarde; não são escolhas fáceis. Esse período é um momento de muitas dúvidas e estresse. Por essa razão, a psicoterapia é uma grande aliada para esclarecer todos os pontos envolvidos na situação e uma boa forma de aliviar a tensão no casal. O que é feito na terapia?
1) Antes da gestação, os assuntos abordados na terapia serão: ambos querem ser pai e mãe?; se um não quer, é melhor separar?; criar um filho é um dom natural de toda mulher?; quais os motivos que levam cada um a querer engravidar?; como a gestação afetará o trabalho da mulher?; qual é a expectativa do homem em relação ao trabalho da mulher após o nascimento do bebê?, etc.
2) Durante a gestação tardia: como lidar com o impacto psicológico dos tratamentos para infertilidade?; como lidar com os sentimentos de incapacidade, ansiedade, tristeza, vergonha e medo no casal?; como gerenciar o estresse para não afetar as chances de fertilização?; etc.
3) Na gestação: o medo de ser pai e mãe; o medo de não conseguir sustentar o filho; o medo de ter um parto difícil; as novas responsabilidades e tarefas de cada um; as mudanças no corpo e no humor da mulher; as expectativas dos avós e familiares; o medo de perder o bebê; o medo do bebê ter alguma complicação grave; o medo de não amamentar; a depressão pós-parto; o retorno ao trabalho; a culpa por ficar longe do filho; o medo da babá não cuidar bem ou maltratar o filho; etc.
Assim, é bom que o casal reflita um pouco sobre as questões acima para poder tomar uma decisão consciente sobre todos os prós e contras para cada um. Isso evitará que as mágoas em razão de expectativas frustradas sejam acumuladas e gerem o afastamento emocional no casal. Por fim, lembrem-se: "As responsabilidades aumentam com os filhos, mas as alegrias também".
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Viviane Sampaio. Psicóloga Clínica. Tel.: (11) 5573-8969. E-mail: psicologavivianesampaio@yahoo.com.br.
Referência Bibliográfica
Hewlett, Sylvia Ann. Maternidade Tardia: mulheres profissionais em busca de realização plena. Tradução Grace Khawali – Osasco, SP: Novo Século Editora, 2008. MAIO/2010.